NEGÓCIOS
Com IA usando fitas magnéticas, Fujifilm planeja maior expansão em duas décadas
A Fujifilm quintuplicará sua capacidade de produção de fitas magnéticas para atender à demanda gerada pela inteligência artificial. Segundo apurou…

A Fujifilm quintuplicará sua capacidade de produção de fitas magnéticas para atender à demanda gerada pela inteligência artificial. Segundo apurou o “Nikkei Asia”, este é o maior investimento da empresa na fabricação desse meio de armazenamento de dados em cerca de 20 anos. A companhia japonesa investirá 10 bilhões de ienes (US$ 63,3 milhões) em sua fábrica em Odawara, perto de Tóquio, até o ano fiscal de 2028. O montante será destinado, em grande parte, ao aumento da produção de fitas avançadas, com capacidade de até 100 terabytes. A Fujifilm iniciou suas pesquisas com fitas magnéticas em 1954, voltadas inicialmente para equipamentos de transmissão televisiva, antes de seu uso se expandir para a gravação de áudio e vídeo. Décadas mais tarde, a IA provocou uma explosão no volume de dados que precisam ser armazenados. De acordo com a empresa americana de pesquisa de mercado IDC, a geração global de dados deve atingir 718 zettabytes (1 zettabyte equivale a 1 bilhão de terabytes) até 2030 — quatro vezes o volume registrado em 2024. As fitas magnéticas são amplamente utilizadas por operadores de data centers, instituições financeiras e organizações de pesquisa para o backup de dados. Elas são ideais para o armazenamento de longo prazo, mantendo-se desconectadas de redes on-line, o que facilita a proteção de informações sensíveis contra ataques cibernéticos, perdas acidentais ou alterações indevidas. Embora as unidades de estado sólido (SSDs) — que oferecem alta velocidade de leitura e gravação — e os discos rígidos (HDDs) de grande capacidade continuem sendo os meios de armazenamento predominantes, as fitas magnéticas mantêm vantagens em termos de durabilidade e custo. Isso as torna uma opção atraente para o armazenamento de “dados frios” (cold data), ou seja, informações acessadas com pouca frequência. O custo de armazenamento em fitas magnéticas pode chegar a apenas um quarto do custo dos HDDs — que, por sua vez, já são mais baratos que os SSDs. A escassez de memórias semicondutoras elevou os preços dos SSDs, enquanto a crescente demanda por parte dos data centers encareceu os HDDs, reforçando a vantagem competitiva das fitas magnéticas no quesito custo. Empresas japonesas possuem uma presença expressiva em toda a cadeia de suprimentos de fitas magnéticas. A Toray Industries, a Teijin e outras companhias fabricam as películas (filmes) utilizadas, enquanto os materiais para o revestimento magnético são produzidos por empresas como a Dowa Holdings. O avanço rápido da inteligência artificial está levando uma ampla gama de fabricantes japoneses de produtos relacionados ao armazenamento de dados a intensificar seus investimentos. A Kioxia anunciou, em agosto, que construirá uma nova unidade de fabricação de memórias semicondutoras na província de Iwate, no norte do Japão. Em parceria com a norte-americana SanDisk, a empresa planeja investir um total de 5 trilhões de ienes ao longo dos próximos seis anos — incluindo aportes em uma fábrica na província de Mie, no oeste do Japão — para ampliar a produção de SSDs de alto desempenho voltados para data centers. A Toshiba investirá cerca de 60 bilhões de ienes para expandir sua fábrica de HDDs nas Filipinas e dobrar sua capacidade produtiva. A Hoya, fornecedora de substratos de vidro para HDDs, investirá cerca de 50 bilhões de ienes em uma nova fábrica no Vietnã. Já a NHK Spring, fornecedora de suspensões para HDDs, planeja um aumento na produção que demandará um aporte de 35 bilhões de ienes.
Perguntas frequentes
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