INTERNACIONAL
Em reunião com Lula, aliados prometem reduzir abstenção e sugerem até aumento de selfies
A reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com aliados para alinhar as estratégias para o segundo turno…

A reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com aliados para alinhar as estratégias para o segundo turno nesta segunda-feira (5) foi marcada por sugestões de intensificar estratégias para diminuir a abstenção –com foco tanto no Nordeste, onde ganhou, como correr atrás no Sudeste–, além de diversificar público-alvo dos discursos e tentar aumentar a presença digital do candidato, algo que ele resiste. Após o revés contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) no último domingo (4), o petista ouviu de nomes que o apoiaram na primeira etapa (vencedores e derrotados) que continuarão a pedir votos em seus Estados no segundo turno.
O encontro no estilo “freio de arrumação” durou cerca de quatro horas em um hotel na Asa Sul de Brasília. Entre ministros, membros da coordenação da campanha, governadores eleitos ou reeleitos, como Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia, e Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba, o presidente perguntou sobre estratégias de sucesso e ouviu também relatos de quem não ganhou, como João Campos (PSB), ex-prefeito de Recife derrotado ao governo de Pernambuco.
A tentativa da reunião, explicam, foi tentar virar a página sobre o desempenho aquém do esperado e focar em “zerar o jogo”. “O segundo turno é outra eleição. As pessoas ficam comparando [os desempenhos], mas não tem comparação”, avaliou o senador eleito pela Bahia Rui Costa (PT), ex-ministro-chefe da Casa Civil, após a reunião. “Agora, é medir rejeição: o que é mais forte para as pessoas decidirem é quem ela não quer. Quem tiver, ao final, uma rejeição mais alta perde a eleição, é assim que funciona.” Os articuladores não revelaram, no entanto, de que forma pretendem reformular a estratégia para comparar Lula e Flávio.
Segundo lideranças que participaram da reunião, cada um acabou “puxando para o seu lado”. Os membros dos Estados nordestinos conquistados pelo PT, por exemplo, prometeram aumentar o percentual em relação ao primeiro turno. O partido conseguiu manter o domínio sobre Bahia, Ceará e Piauí, reelegendo não só os três governadores como os dois senadores de cada, mas o percentual de votos do presidente caiu em todos, se comparado a 2022.
Neste duelo, o objetivo, dizem, é não só tentar diminuir a rejeição, mas também combater a abstenção, que ultrapassou 21% dos aptos a votar (33,4 milhões de eleitores). Nesses estados, a abstenção não foi tão inferior quanto o número nacional. Na Bahia, por exemplo, foi de 19,97%.
Por isso, Jerônimo e Rui se comprometeram a seguir com agendas no interior. O mesmo deverá ser feito no Ceará, com o governador Elmano de Freitas (PT) e os senadores Camilo Santana (PT) e Cid Gomes (PSB), e no Piauí, com Fonteles e o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), ex-governador do Estado por quatro mandatos.
Alguns chegaram a estabelecer metas. “Nós [Lula] tivemos 63% no Estado [Ceará]. Vamos chegar a 70%”, prometeu o ministro cearense José Guimarães, das Relações Institucionais. “Vamos ampliar a votação, sobretudo naqueles ambientes em que nós temos grandes chances, como é o Nordeste brasileiro.” O governador Rafael Fonteles (PT), reeleito no Piauí, prometeu aumentar de 71% para 80%.
Em busca deste eleitor, a atenção também deverá ser intensificada no Sudeste. Lula perdeu mais de cinco milhões de votos na região que concentra 41% dos eleitores do país, se comparado em relação ao primeiro turno de 2022. Segundo articuladores da campanha, não há como pensar em reverter o quadro sobre Flávio se não tiver uma minoria expressiva na região. Por isso, as agendas seguirão intensas, em especial em São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, onde o desempenho também piorou.
“São 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Perderam sentido de responsabilidade ou não foram convencidos? Não gostam dos candidatos?”, questionou o presidente na reunião. “Por que não foram votar? Possivelmente, por uma causa: desinteresse –e a responsabilidade é nossa. A gente não tem que ficar procurando defeito que os outros cometeram. O que nós não fizemos corretamente? Esse é o desafio.”
Nas viagens, Lula também prometeu ir aos lugares onde ainda tem candidatos ao segundo turno, como o Rio Grande do Norte. Cadu de Lula (PT), ex-secretário da governadora Fátima Bezerra (PT), disputará com o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União).
Entre as sugestões, falou-se também de uma modernização na campanha. Fonteles, um dos governadores mais jovens do país, por exemplo, sugeriu ao presidente para tirar “mais selfies” com os eleitores, em diferentes Estados, e indicar qual a sua localização em questão. Segundo presentes, Lula respondeu, bem-humorado, que prefere o contato pessoal. “Devemos fazer as duas coisas: aumentar a presença nas redes, aonde você consegue atingir diversos públicos, e o presencial”, afirmou o governador, após o encontro.
Candidatos usaram também exemplos das próprias campanhas. “Eu usei muito as redes sociais, contratamos especialistas só para isso”, afirmou o senador eleito Júlio César (PSD-PI), que tomou a vaga de reeleição de Ciro Nogueira (PP), um dos caciques do Piauí.
Para ampliação de público, aliados sugeriram reforçar a pauta sobre o público idoso. A campanha do petista já vinha sondando o aumento de propostas para este segmento, mas acabou ficando para trás em meio ao debate no primeiro turno. Agora, petistas dizem que Lula deveria estimular o diálogo com “seus semelhantes”, em referência aos 80 anos do presidente.
05/10/2026 22:55:07
Fonte: Valor Econômico
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