ECONOMIA

Por que o Goldman Sachs segue otimista com o ouro, mesmo após o Fed elevar os juros nos EUA

O Goldman Sachs manteve a sua projeção de US$ 5.400 por onça-troy para o ouro ao final de 2027, apersar…

O Goldman Sachs manteve a sua projeção de US$ 5.400 por onça-troy para o ouro ao final de 2027, apersar da primeira alta de 25 pontos-base nos juros norte-americanos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) em três anos.

“Embora juros mais altos devam continuar pressionando os preços do ouro no curto prazo por meio da demanda de fundos de índice (ETFs), nossos economistas esperam que o Fed realize três cortes de juros entre setembro de 2027 e março de 2028, mantendo inalterada a taxa terminal projetada entre 3,25% e 3,50%“, afirma o Goldman.

Portanto, a expectativa do banco é de que o impacto da política monetária mais restritiva se manifeste principalmente por meio de uma trajetória de valorização mais lenta no curto prazo, e não por um preço terminal mais baixo para o metal dourado.

Ainda assim, a instituição espera uma alta gradual dos preços do metal no curto prazo e agora estima um um valor justo de US$ 4.650 por onça-troy no final de 2026, abaixo da previsão anterior de US$ 4.900, mas ainda acima da atua cotação de US$ 4.350.

“Isso porque grande parte do aperto monetário esperado já parece estar refletida na demanda por ETFs, as compras de bancos centrais continuam mais fortes do que o esperado e compensam o impacto negativo dos juros mais altos, e a demanda por opções de compra (call options) de ouro como proteção contra riscos de política macroeconômica tem se mostrado resiliente”, explica o banco.

No entanto, o banco afirma que a contínua diversificação de reservas pelos bancos centrais permanece como o principal fator estrutural por trás de nossa visão positiva para o metal precioso, respondendo por praticamente toda a valorização de 23% estimada até o final de 2027.

“Continuamos considerando a diversificação de reservas após o congelamento dos ativos do banco central russo em 2022 como uma mudança estrutural, e conversas recentes com bancos centrais sugerem que o apetite pelo ouro permanece forte”, escrevem os analistas do Goldman Lina Thomas e Daan Struyven.

Fed mais restritivo

Por outro lado, o Goldman considera que um Fed significativamente mais agressivo (hawkish) na condução da política monetária poderia provocar uma correção mais intensa do que o habitual no metal dourado.

“Se o Fed realizar mais três altas de juros até o final do ano e sinalizar uma taxa terminal mais elevada, a demanda por ouro como proteção contra riscos macroeconômicos poderá se reduzir parcialmente, à medida que diminuam as preocupações do mercado sobre a independência dos bancos centrais das economias desenvolvidas”, avalia o Goldman.

Somando-se a isso, investidores de ETFs mais sensíveis aos juros poderiam aumentar suas vendas líquidas diante de taxas mais elevadas, acrescenta.

Nesse cenário, o banco afirma que os preços do ouro poderiam cair para um piso de curto prazo próximo de US$ 4.070 por onça-troy, antes de se recuperarem gradualmente para cerca de US$ 4.200 por onça-trou até o final de 2026, à medida que as compras contínuas dos bancos centrais elevem progressivamente o piso de sustentação dos preços.

Perguntas frequentes

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Otávio Braga

Otávio Braga

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