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Stablecoins em reais podem chegar a R$ 1 trilhão em dez anos, diz CEO da Crown

O mercado de stablecoins atreladas ao real pode chegar a R$ 1 trilhão em circulação na próxima década, segundo John…

O mercado de stablecoins atreladas ao real pode chegar a R$ 1 trilhão em circulação na próxima década, segundo John Delaney, cofundador e CEO da Crown, emissora da BRLV. A projeção foi apresentada durante painel no Digital Assets Conference (DAC), evento promovido pelo Mercado Bitcoin, em uma discussão sobre a evolução do uso de stablecoins no Brasil e no mundo.

Delaney argumentou que o país reúne características favoráveis para o crescimento desse mercado: uma moeda local relevante, um sistema financeiro desenvolvido, juros elevados e um ambiente regulatório que, na avaliação dele, tem sido receptivo à inovação.

Segundo o executivo, se as stablecoins em reais alcançarem algo próximo de 8% da base monetária brasileira em dez anos, o mercado pode atingir a marca de R$ 1 trilhão.

A tese parte de uma comparação com o avanço das stablecoins de dólar. Delaney afirmou que uma parcela ainda pequena dos dólares em circulação está hoje representada em stablecoins, mas espera que esse percentual continue crescendo à medida que mais ativos e operações migrem para infraestruturas tokenizadas.

Para ele, o Brasil tem uma vantagem adicional: não é uma economia dolarizada. Isso abre espaço para uma stablecoin em moeda local ganhar uso próprio, em vez de funcionar apenas como substituto digital do dólar.

Delaney também destacou que o real continua sendo uma moeda relevante para investidores quando se considera o efeito dos juros. Embora tenha perdido valor frente ao dólar ao longo dos últimos anos, o rendimento proporcionado pelos juros locais pode compensar parte dessa desvalorização para quem consegue acessar esse retorno.

Stablecoins já dominam parte relevante do volume cripto

O crescimento das stablecoins no Brasil já é visível no mercado de negociação, segundo Fabricio Tota, diretor de Novos Negócios do Mercado Bitcoin.

Tota afirmou que, em 2019, stablecoins representavam cerca de 3% do volume negociado reportado no Brasil. Hoje, essa participação passa de 80%, segundo os números citados por ele durante o painel.

Ele também disse que quase 90% desse volume em stablecoins estaria concentrado em Tether (USDT).

A trajetória de uso desses ativos também mudou. Nos primeiros anos, stablecoins eram utilizadas principalmente como instrumento de negociação dentro do mercado cripto. Depois, ganharam força como forma mais simples de obter exposição ao dólar.

No Mercado Bitcoin, segundo Tota, esse ainda é o principal uso em número de usuários: pessoas compram stablecoins para manter exposição à moeda americana, e não necessariamente para fazer pagamentos ou remessas. Entre clientes institucionais, porém, o uso como infraestrutura para movimentação de recursos já é mais relevante.

Rodrigo Stallone, responsável pelos negócios institucionais da Tether na América Latina, resumiu essa evolução em três fases: primeiro, stablecoins como ferramenta de trading; depois, como instrumento para diferentes casos de uso; e, mais recentemente, como infraestrutura adotada por instituições.

Próxima etapa é virar infraestrutura “invisível”

Para os participantes do painel, a expansão futura das stablecoins pode acontecer justamente quando o usuário deixar de perceber que está usando esse tipo de ativo.

Tota contou o exemplo de uma compra realizada na Argentina por meio de Pix. Para o consumidor, a experiência parecia um pagamento convencional, mas a infraestrutura por trás da operação utilizava USDT.

Segundo ele, esse é o tipo de uso que deve ganhar espaço: a tecnologia funcionando nos bastidores, sem exigir que o consumidor tenha uma carteira cripto ou conheça detalhes sobre blockchain.

“A boa história é quando a pessoa paga usando uma stablecoin e nem sabe”, resumiu Tota durante o painel.

Essa visão também se conecta ao avanço da tokenização. Stallone afirmou que a Tether pretende atuar como camada de liquidação não apenas para transações com criptoativos, mas também para produtos tokenizados.

Delaney seguiu na mesma linha. Segundo ele, se ações, fundos e outros ativos migrarem para redes blockchain, será necessário haver uma forma de dinheiro tokenizado para realizar a liquidação dessas operações. Nesse cenário, stablecoins deixariam de ser apenas uma alternativa para pagamentos e passariam a funcionar como parte da infraestrutura do mercado financeiro.

Regulação ainda é desafio para expansão

Apesar do crescimento, os participantes apontaram a fragmentação regulatória como um dos principais obstáculos para uma expansão global mais rápida.

Juan Pablo, executivo da Sphere, afirmou que diferentes países ainda adotam regras próprias para stablecoins e outros criptoativos, o que dificulta a criação de produtos escaláveis internacionalmente.

Segundo ele, a América Latina poderia se beneficiar de um padrão regional mais harmonizado de compliance e supervisão, especialmente porque os pagamentos com stablecoins já operam de forma global.

Para os próximos anos, ele espera que governos voltem a discutir regras específicas para esses ativos e que stablecoins ganhem ainda mais espaço em remessas e pagamentos internacionais, principalmente por oferecerem liquidação mais rápida.

No Brasil, esse avanço deve ocorrer paralelamente à consolidação da nova regulação do mercado de ativos virtuais e ao crescimento da tokenização. Para os participantes do painel, o próximo estágio será menos sobre convencer usuários a comprar stablecoins e mais sobre integrá-las à infraestrutura financeira sem que o consumidor precise saber que elas estão ali.

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Perguntas frequentes

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Hugo Faria

Hugo Faria

Hugo Faria integra a equipe editorial do Estrato Saúde, vertical da rede Estrato, na função de Repórter de Bem-estar. O escopo permanente de cobertura inclui hábitos e qualidade de vida, com atenção ao leitor brasileiro que busca contexto factual, datas oficiais e implicações práticas. Na produção diária, prioriza fontes primárias (órgãos públicos, balanços, papers e documentos oficiais), cruza pelo menos duas referências independentes quando o tema é contestado e evita manchetes que prometam certeza onde há incerteza. Critérios de qualidade: lead com o fato principal, atribuição clara de autoria da equipe Estrato, atualização com selo quando há mudança material e linguagem acessível sem simplificar demais o risco ou o contexto. Trabalha sob revisão da mesa editorial e do editor-chefe do portal. Matérias YMYL recebem segunda leitura antes da publicação e podem ser atualizadas quando surgem novos dados oficiais. Limites: este perfil descreve o papel editorial na marca Estrato. O conteúdo publicado é informativo e não constitui aconselhamento médico, financeiro, jurídico ou profissional personalizado. Transparência ao leitor: metodologia em /metodologia/, ética em /etica-editorial/, correções em /correcoes/, equipe em /equipe/ e canal em /contato/ ([email protected]). Na página-mãe da rede, a bio ampliada e o arquivo de matérias ficam em estrato.cc/blog/, com link para o arquivo do autor em cada portal.

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