INTERNACIONAL
Democratas dos EUA tentam barrar acordo nuclear de Trump com a Arábia Saudita
Democratas da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos manifestaram nesta quinta-feira preocupação com o acordo de cooperação nuclear civil do…

Democratas da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos manifestaram nesta quinta-feira preocupação com o acordo de cooperação nuclear civil do presidente Donald Trump com a Arábia Saudita e disseram ter apresentado uma resolução de rejeição para tentar impedir que o pacto entre em vigor. Leia também: Sistema de dissuasão nuclear pós-Guerra Fria encara desafios e dá sinais de fraqueza Trump condiciona acordo nuclear com a Arábia Saudita a reconhecimento de Israel Por que um acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita causa preocupação? Trump enviou a proposta de acordo ao Congresso em agosto, dando início a um período de 90 dias para análise pelos parlamentares e abrindo a possibilidade de que eles tentem aprovar uma resolução para rejeitá-lo. Democratas e defensores da não proliferação nuclear criticaram o pacto por não impedir a Arábia Saudita de enriquecer urânio ou reprocessar resíduos nucleares, duas possíveis vias para o desenvolvimento de uma arma nuclear. Os Emirados Árabes Unidos concordaram com essas restrições, conhecidas como “padrão-ouro”, em seu acordo de cooperação nuclear civil de 2009 com Washington. “Uma região já marcada por conflitos e escalada não precisa de outra potência nuclear”, afirmaram em comunicado os quatro democratas — Gregory Meeks, de Nova York, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara; Brad Sherman e John Garamendi, da Califórnia; e Don Beyer, da Virgínia. O governo Trump afirma que o acordo contém as medidas de não proliferação exigidas por lei. Não está claro se a Arábia Saudita conseguirá o acordo sem normalizar as relações com Israel. Trump afirmou que o pacto só entrará em vigor se Riad der esse passo, mas assessores do Congresso disseram que não há nada no acordo que trate dessa questão. Parlamentares também pediram que todo o conteúdo do acordo, incluindo “cartas paralelas” sigilosas negociadas com a Arábia Saudita, seja tornado público. O pacto nuclear, com duração de 30 anos, prevê a construção de reatores AP1000, um projeto avaliado em dezenas de bilhões de dólares que beneficiaria a Westinghouse, controlada conjuntamente pela canadense Cameco e pela Brookfield Asset Management. Não está claro quando a Câmara poderá votar a resolução. O presidente da Casa, Mike Johnson, dispensou os parlamentares na quarta-feira até depois das eleições de meio de mandato de 3 de novembro. Além disso, embora o Congresso tenha aprovado dezenas de resoluções de rejeição ao longo dos anos, nunca aprovou uma para barrar um acordo de cooperação nuclear civil. De acordo com a Seção 123 da Lei de Energia Atômica de 1954, acordos de cooperação nuclear para fins pacíficos entram automaticamente em vigor após 90 dias se o Congresso não aprovar uma resolução de rejeição para bloqueá-los.
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