AGRONEGÓCIO
Ex-modelo troca carreira pela agronomia e faz sucesso nas redes sociais ajudando produtores de melancia
Entre lavouras de melancia e treinos de CrossFit, o engenheiro agrônomo Gabriel Novais, de 26 anos, encontrou uma combinação que…

Entre lavouras de melancia e treinos de CrossFit, o engenheiro agrônomo Gabriel Novais, de 26 anos, encontrou uma combinação que vem chamando atenção nas redes sociais. Conhecido como “Menino da Melancia”, ele conquistou espaço na internet compartilhando dicas sobre manejo da cultura, a rotina no campo e outra paixão que o acompanha desde a adolescência: o esporte.
Antes de trabalhar com agricultura, Gabriel chegou a atuar como modelo fotográfico para lojas de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia, e recebeu propostas para trabalhar em outros estados. A carreira, porém, não o conquistou.
O esporte também quase mudou seus planos profissionais. Campeão baiano de handebol quando tinha entre 18 e 19 anos, ele se apaixonou posteriormente pelo CrossFit e chegou a cogitar abandonar a Agronomia para cursar Educação Física.
“Quase larguei a Agronomia para fazer Educação Física e trabalhar somente com CrossFit”, conta.
No fim, prevaleceu uma influência que estava ao redor dele desde a infância: a agricultura.
Gabriel cresceu em Teixeira de Freitas, município onde a produção agrícola faz parte da economia local e onde a melancia ganhou espaço suficiente para se transformar em um dos símbolos da cidade.
A família também carrega uma ligação anterior com o campo. Segundo Gabriel, os avós viviam em Ibotirama, no oeste baiano, onde mantinham criação de gado e cultivavam produtos como mandioca e melancia.
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A geração seguinte tomou outro caminho. O pai tornou-se professor de matemática e a mãe, autônoma. Foi Gabriel quem decidiu retomar a ligação da família com a atividade rural.
Durante o ensino médio, ele chegou a ficar dividido entre Veterinária e Agronomia. A importância da agricultura em Teixeira de Freitas e a influência de um agrônomo próximo da família ajudaram na decisão. “Hoje eu não me vejo fazendo outra coisa além de Agronomia”, afirma.
Atualmente, ele trabalha como representante técnico de vendas e presta assistência diretamente aos produtores. Nas visitas às propriedades, acompanha as lavouras, identifica pragas, doenças e deficiências nutricionais e faz recomendações de manejo.
Foi justamente esse trabalho que abriu caminho para o sucesso nas redes sociais.
Um vídeo sobre uma praga mudou tudo
A história do “Menino da Melancia” na internet começou quase por acaso. Em seu primeiro ciclo trabalhando diretamente com a cultura, Gabriel encontrou uma praga em uma lavoura. Pegou o celular para gravar uma explicação que seria enviada ao produtor, gostou do resultado e decidiu publicar o vídeo no Instagram.
“Falei: ‘Vou gravar e postar no Instagram. Se der certo, bom, e se não der certo, eu apago e finjo que nem aconteceu’”, lembra.
Ele não apagou. O vídeo permanece publicado até hoje e marcou o início da produção de conteúdo sobre a cultura. Gabriel percebeu que muitas das dúvidas encontradas diariamente nas propriedades também eram compartilhadas por outros agricultores.
“A ideia era ser um vídeo informativo, porque eu percebi também a carência que tem de informação de algumas questões para o produtor”, conta.
A partir daí, ele passou a transformar situações encontradas durante as visitas técnicas em conteúdo para as redes.
E nasceu o ‘Menino da Melancia’
Se o primeiro vídeo abriu o caminho, foi uma publicação durante a colheita que deu origem ao apelido.
Gabriel publicou um vídeo abrindo uma melancia. O conteúdo ganhou repercussão muito maior do que as publicações anteriores e saiu da bolha de seguidores que ele tinha naquele momento.
A exposição aumentou ainda mais depois que outro influenciador reuniu fotos e vídeos de Gabriel relacionados à fruta em uma publicação que, segundo o agrônomo, ultrapassou 1 milhão de visualizações. Foi aí que um comentário começou a se repetir: “Menino da Melancia”.
“Nos comentários era só ‘Menino da Melancia’. No meu Instagram comentavam a mesma coisa, no TikTok também. Até que um dia responderam em uma caixinha: ‘Aceita que seu nome mudou’. Falei: ‘Vamos entrar na brincadeira’. E deu certo”, relembra.
O apelido ultrapassou as redes sociais. Segundo Gabriel, há pessoas que já o reconhecem dessa forma até nas ruas.
Melancia exige investimento e não aceita muitos erros
Por trás do conteúdo descontraído, Gabriel procura mostrar também os desafios enfrentados por quem decide investir na cultura.
A melancia tem ciclo relativamente curto e, segundo o agrônomo, isso reduz a margem para erros durante a produção.
“A melancia, por ser uma planta de ciclo rápido, não aceita muito o erro”, explica.
Um dos principais riscos é o clima. Excesso de chuva favorece doenças fúngicas, que podem comprometer as folhas e, consequentemente, a qualidade dos frutos.
Gabriel cita como exemplo uma safra em que havia preços considerados atrativos, mas a chuva prejudicou a disponibilidade de fruta no mercado.
Outro desafio está no bolso. Segundo ele, sistemas de alto nível tecnológico podem exigir investimentos entre R$ 30 mil e R$ 40 mil por hectare.
A comercialização é outro ponto considerado delicado. Gabriel relata que parte relevante dos negócios é intermediada por atravessadores e que poucos produtores possuem contato direto com os compradores.
“Não é só o custo de plantar, mas também a forma de vender e conseguir lucrar com ela depois. É muito difícil”, afirma.
De agrônomo a produtor de melancia
Agora, Gabriel prepara um novo capítulo da relação com a cultura: deixar de apenas orientar outros agricultores para também assumir os riscos de produzir.
Ele aceitou o convite de um amigo para cultivar uma área de 15 hectares em sociedade. A terra pertence ao pai do parceiro e seria destinada ao plantio de café, mas um atraso na chegada das mudas abriu uma janela para a melancia.
“Eu aceitei sem nem pensar, porque isso coloca à prova muito do meu conhecimento, da minha experiência e o sonho que eu tinha de ter minha área”, afirma.
A intenção é realizar pelo menos um ciclo de melancia e, se houver tempo, um segundo. Posteriormente, a área será devolvida com o café implantado.
Para Gabriel, a experiência também pode representar o começo de uma mudança profissional.
“Dando certo, acredito que eu siga mais vezes até não precisar trabalhar no comercial, mas ficar só no campo”, diz.
Redes sociais começam a abrir portas
A visibilidade conquistada na internet também começa a gerar oportunidades fora das lavouras.
Gabriel passou a participar de iniciativas ligadas à representação de jovens do agronegócio, recebeu convites para eventos e começou a realizar trabalhos publicitários em suas redes para grandes marcas, como a Mitsubish.
Ele também foi convidado para ser embaixador de uma exposição em sua cidade e para participar de eventos ligados ao setor.
Apesar das oportunidades, Gabriel afirma que ainda as redes sociais não são a sua principal fonte de renda. O objetivo, no entanto, é profissionalizar gradualmente a produção de conteúdo e conciliá-la com uma propriedade rural.
“Eu me vejo dessa mesma forma: sobreviver da minha propriedade e do que a rede social conseguir me entregar, seja publicidade, seja contratos fechados”, conta.
Do CrossFit para o triatlo
Mesmo com a rotina entre propriedades, trabalho comercial e redes sociais, o esporte continua presente. Antes da Agronomia, Gabriel foi campeão baiano de handebol pela equipe de sua cidade. A classificação para uma competição nacional acabou prejudicada pela pandemia. Depois veio o CrossFit.
Ele começou a competir na modalidade e chegou a considerar transformar o esporte em profissão. Hoje, porém, prefere mantê-lo como hobby e prepara um novo desafio: o triatlo.
Gabriel começou a treinar para disputar sua primeira competição oficial da modalidade, o Capixaba de Ferro, no Espírito Santo.
“Estou começando no triatlo agora, mas como objetivo pessoal. Era uma coisa que eu sempre quis fazer”, afirma.
No futuro, ele também pretende participar de provas fora do Brasil, embora reconheça que a rotina profissional ainda limita o tempo disponível para os treinamentos.
Informação técnica antes da venda
Apesar da popularidade conquistada na internet, Gabriel afirma que sua prioridade profissional continua sendo a assistência ao agricultor.
Para ele, uma das principais carências encontradas nas propriedades é justamente o acompanhamento técnico que não esteja condicionado à venda de produtos.
“O produtor hoje está carente de atenção técnica de verdade, não só venda”, afirma.
Segundo o agrônomo, em algumas situações ele prefere recomendar que o agricultor não compre determinado produto caso avalie que aquela não seja a melhor solução para a lavoura.
“Por muitas vezes eu perdi a venda, mas ganhei um amigo”, resume.
E se trabalhar diariamente com a fruta poderia fazer alguém enjoar de melancia, com Gabriel aconteceu justamente o contrário.
Durante avaliações de campo, ele conta que chega a abrir dezenas de frutos em um único dia para verificar maturação e qualidade. Mesmo assim, garante que a fruta continua presente em casa sempre que encontra uma de boa qualidade.
“Se eu pudesse e achasse uma melancia todo dia, ia ter aqui em casa”, brinca.
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Fonte: Canal Rural
Perguntas frequentes
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