ECONOMIA
NFL aposta no Rio para expandir negócios e vê espaço para múltiplos jogos no Brasil
A National Football League (NFL) desembarcou nesta semana para seu primeiro jogo no icônico Estádio do Maracanã, no Rio de…

A National Football League (NFL) desembarcou nesta semana para seu primeiro jogo no icônico Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, convicta de que o mercado brasileiro deixou de ser uma mera aposta experimental para se consolidar como peça central da sua estratégia de expansão internacional.
Às vésperas do confronto entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens neste domingo (27), Matt Shapiro, vice-presidente global de estratégia de eventos e mercado da principal liga de futebol americano do mundo, afirmou com exclusividade ao Valor que vê o país apto para receber, no futuro, mais de uma partida por ano.
“Acho que isso é possível quando olhamos para o futuro”, diz Shapiro. “O Brasil é um mercado crítico para nós e tem a base de fãs e infraestrutura para sustentar potencialmente algo assim”, afirmou. “Mas nosso foco total está em garantir que este domingo no Maracanã seja o melhor jogo possível.”
A passagem da NFL pelo Rio coroa o terceiro ano consecutivo de jogos da liga americana no Brasil, após duas bem-sucedidas edições na Neo Química Arena, em São Paulo, em 2024 e 2025. Com cerca de 40 milhões de entusiastas declarados no país, segundo pesquisa recente do Ibope Repucom, o Brasil já é o segundo maior território da liga fora dos Estados Unidos, atrás apenas do México.
“O fato de termos realizado dois jogos em São Paulo nos últimos anos nos preparou para o que estamos fazendo agora no Rio”, diz. “Há muitas coisas que aprendemos, agora conseguimos pegar melhor nuances e detalhes operacionais e culturais que antes eram desconhecidos por nós.”
Os números atestam o aquecimento comercial em torno da liga no país. Segundo Shapiro, o jogo no Maracanã bateu o recorde de marcas associadas, são 22 patrocinadores realizando ativações oficiais nesta edição carioca, superando os números registrados nos jogos anteriores.
A projeção de impacto financeiro direto no Rio também deve superar a barreira dos US$ 60 milhões, cerca de R$ 330 milhões no câmbio atual, aferidos em cada jogo na capital paulista. “Há muita geração de empregos temporários, ocupação hoteleira e consumo em restaurantes e no comércio. É um equilíbrio entre atrair turistas estrangeiros e de outros Estados e, ao mesmo tempo, atender ao público local”, avalia Shapiro.
Matt Shapiro, vice-presidente global de estratégia de eventos e mercado da NFL, vê impacto econômico do jogo no Rio maior do que em SP
Leo Pinheiro/Valor
Para maximizar a conexão com os fãs fora dos portões do Maracanã, a NFL distribuiu operações em pontos estratégicos da cidade. Entre as ativações, montou uma loja oficial em shopping no Leblon, esculpiu camisas gigantes nas areias de Copacabana e colocou um balão de ar quente na Lagoa Rodrigo de Freitas.
“Sabemos que o estádio tem capacidade limitada para o dia do jogo. Por isso, o objetivo [da NFL] é estar onde as pessoas já circulam e valorizar cenários icônicos que só o Rio oferece”, explica o executivo da liga.
Trazer o Dallas Cowboys, o time esportivo mais valioso do mundo, avaliado em mais de US$ 10 bilhões, para enfrentar o Baltimore Ravens, da superestrela Lamar Jackson, exigiu uma operação complexa de bastidores por parte da NFL com negociações que duraram mais de um ano com autoridades da Prefeitura e Governo do Rio de Janeiro e também de Flamengo e Fluminense, times que administram o Maracanã.
“Não queremos simplesmente chegar a um país, jogar por três horas e ir embora. Trata-se de entrar na casa deles e construir uma parceria respeitosa”, destaca Shapiro, acrescentando que o espetáculo dentro do estádio buscou equilibrar elementos da experiência padrão dos jogos nos EUA com apresentações culturais voltadas ao público brasileiro e carioca.
Para além das receitas de transmissão, venda de ingressos e consumo de produtos licenciados nas imediações do estádio, a principal alavanca de longo prazo da NFL no Brasil atende pelo nome de “flag football”.
A modalidade sem contato físico, que fará sua estreia como esporte olímpico nos jogos de Los Angeles em 2028, tem sido parte integral da estratégia de expansão internacional da liga, seja em iniciativas sociais, como o investimento de US$ 160 mil anunciado essa semana, ou no apoio dos times e ligas nacionais.
Segundo o executivo, os programas de formação esportiva da NFL já alcançam mais de 11 mil escolas espalhadas por três estados brasileiros. “O ‘flag’ democratiza o esporte porque engaja meninos e meninas igualmente, forma novos fãs e alimenta uma cadeia de futuros atletas”, comenta. “O jogo de domingo é a faísca de visibilidade, mas o trabalho de verdade da NFL acontece no ano inteiro.”
O jogo entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens acontece a partir das 17h25 neste domingo (27), com transmissão exclusiva do SporTV e da Ge TV. A Globo vai passar o show do intervalo com Ricky Martin e Pedro Sampaio ao vivo na televisão aberta e transmitirá um compacto da partida após o Fantástico.
Fonte: Valor Econômico
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