NEGÓCIOS

Oferta de gás natural no RS pode crescer pelo menos 30% com terminal de GNL

A oferta de gás natural no Rio Grande do Sul pode crescer em, no mínimo, 30%, quando entrar em operação…

A oferta de gás natural no Rio Grande do Sul pode crescer em, no mínimo, 30%, quando entrar em operação o terminal do produto de forma liquefeita (GNL), o que deve ocorrer em 2028. A Edge e o governo do Estado firmaram um acordo para implantação de um terminal de GNL no Porto de Rio Grande. Atualmente, o Estado conta com oferta de 2,9 milhões de metros cúbicos por dia (m³/dia) de gás natural que vem da Bolívia pelo Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) e o GNL pode, em uma primeira etapa, ampliar a disponibilidade do insumo, inicialmente, entre 500 mil m³/dia e 700 mil m³/dia.

O projeto tem potencial para gerar até R$ 1 bilhão em investimentos. O terminal vai operar em sinergia com o terminal de regaseificação da empresa em Santos, criando uma nova rota de abastecimento para o Rio Grande do Sul. O terminal no Rio Grande será modular, com potencial de expandir a capacidade de processamento para até 3 milhões de m³/dia.

A partir da assinatura do acordo, serão aprofundados estudos relacionados à infraestrutura, logística, suprimento e demanda, além de aspectos técnicos, regulatórios e econômicos necessários à implantação do terminal.

Demétrio Magalhães, presidente da Edge, disse que o memorando de entendimentos (MoU, na sigla em inglês) é o primeiro passo para a ampliação da oferta de um mercado importante. O modelo desenhado prevê um uso de navio que transportará o gás do terminal da Edge até o porto de Rio Grande. Esse navio, conhecido pela sigla em inglês FSU, poderá transportar GNL de outras regiões do país, não se limitando apenas às instalações da empresa em São Paulo.

“Estar no Rio Grande do Sul e desenvolver essa infraestrutura sempre foi nosso objetivo”, disse Magalhães.
O foco da Edge, disse, são indústrias, projetos estruturantes da distribuidora local e mobilidade pesada. Após a assinatura do MoU, os estudos serão aprofundados. Após a conclusão dos estudos e a decisão de investimento, a previsão é de que o terminal esteja em operação entre 12 e 18 meses.

A Edge planeja fazer do terminal um ponto de partida para a abertura desses novos mercados, com investimentos localizados em terminais de regaseificação para atender os novos clientes que venham a aderir ao gás. “Quando se fala em 3 milhões de m³/dia, vamos estar com uma infraestrutura pronta”, disse.

De acordo com o secretário geral do governo do Rio Grande do Sul, Artur Lemos, a oferta de gás sempre foi um gargalo porque o Estado é “fim de linha” no Gasbol, o que eleva os custos do insumo para os consumidores. O terminal de GNL pode reduzir os preços do gás natural, beneficiando especialmente indústrias. Com um gás mais competitivo, avalia, abre-se espaço para desenvolver novas frentes na economia do Rio Grande do Sul.

Lemos destacou a possibilidade de se levar o gás de modo liquefeito, por meio de carretas, para regiões no interior do Rio Grande do Sul que não contam com redes de distribuição. A formação de novos mercados regionais, afirmou, ajuda a abrir uma demanda suficiente para justificar investimentos pela distribuidora do Estado, a Sulgás, em expansão da rede de dutos.

“Eu tenho um mercado não térmico a ser explorado, já mapeado, entre 500 mil m³/dia e 700 mil m³/dia”, disse Lemos.
Esse potencial envolve novas indústrias e expansão de plantas existentes. Além disso, disse Lemos, há espaço para que se possa criar programas oficiais voltados ao transporte de cargas e passageiros, por meio da conversão de frotas de caminhões que hoje são movidas a diesel para o gás natural. “Eu tenho todo esse mercado potencial a desenvolver, contribuindo na redução das emissões do Estado”, disse.

Fonte: Valor Empresas

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Tatiana Lopes

Tatiana Lopes

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